sexta-feira, 27 de julho de 2012

Amor Além da Vida


Descobrira fazia 2 meses que seria vítima de morte de uma doença raríssima, ela penetrava nos ossos e praticamente os transformava em pó.
Tinha menos de 1 ano a mais de vida, era incontornável.
O acontecimento transformara a vida pelo acesso e, mesmo sempre sendo brincalhão e otimista, não conseguia mais esconder a profundidade de sua angústia. Tudo acabaria daqui a poucos meses, mas era preciso aceitar a morte. Mais do que isso, levantou a cabeça e decidiu que aceitaria a vida! Ou o resto que lhe sobrara de vida.
Havia feito amigos, amado, curtido, viajado, gastado e ganho. Viveu derrotas, mas acima de tudo era um vencedor. Em dado momento lhe veio a inspiração, aquilo que julgou ser o sentido do seu viver. Queria deixar sua semente no mundo. Seu legado, um filho, um elo.

Faria isso da melhor maneira e sem enganar a ninguém, a escolhida seria sua ex-mulher, agora já casada novamente. Chamou-a para um encontro. Ela não recusou de imediato, o carinho era de amizade, mas não fazia ideia do que estava por vir. Inicialmente, chorou inconsolável ao saber da doença, demorou a se acalmar, não acreditou, ninguém lidava bem com aquela notícia. No meio de um turbilhão de emoções cogitou em largar o marido para voltar e cuidar de sua antiga paixão, mas nada disse, se limitou a chorar. Sentia pena, tristeza.
Ele continuou, se fez de forte, já havia passado por muitas situações delicadas diversas vezes nesses 2 meses. Falou estar feliz na medida do possível, que já havia absorvido o golpe, então lhe explicou que ela deveria ser a mãe de seu filho. Fez isso sem suplicar, sem chorar, seu instinto escolhera assim. Ela calou-se. 2 dias depois conversariam de novo.

Santiago, o atual marido, estaria presente 2 dias depois como combinado, e tiveram uma conversa os 3.

Hugo, o filho, ouvira a história pela primeira vez, hoje já com 16 anos.

A princípio Hugo demorou a se situar, apesar de maduro para sua idade, psicologicamente não estava preparado, talvez nunca estivesse. Em dado momento quis saber do verdadeiro pai, como era, como havia morrido, o nome... Mas não tardou a perguntar aquela que seria a questão mais importante de sua vida até então, a razão de sua existência.

Santiago, pai de criação, absorvido por uma serenidade adquirida pelos anos de preparação e ensaio para o dia em que aquela conversa fosse feita, respondeu: meu filho, o fato de você não ser biologicamente meu nunca alterou em nada meus sentimentos por você, você sempre será meu filho. No dia em que encontrei aquele homem e rapidamente tomei conhecimento de sua proposta, minha primeira reação foi de revolta, mas então, olhando para aquele semblante percebi que falava sério. Não suplicou, não implorou, ele foi sincero e aquilo me acalmou, ele estava seguindo sua intuição. E então, fiz a ele a mesma pergunta que hoje você fez a mim. Porque dentre milhares de mulheres, ele escolheu justamente sua mãe?

Então filho, vou lhe responder da mesma maneira que ele me respondeu. Que de todas as mulheres que tivera, ela havia sido aquela que lhe despertara sua paixão, e que apesar de estarem separados, ela teria sido a única mulher que havia jurado protegê-la e que, naquele momento, ao saber da proximidade de sua morte havia descoberto um sentimento novo, o de querer viver. E, percebendo a ausência de sentido que tivera em toda a vida, teve certeza do que tinha que fazer e gostaria de deixar a única marca que considerava relevante em toda a sua vida. Um filho, fruto do mais puro amor.

Então Hugo, ouvindo pacientemente toda aquela explicação, não tive dúvidas, arrebentei a cara daquele sujeito no mesmo instante, o que foi irrelevante, o filho da puta já tinha plantado sua semente no dia anterior. Sua mãe também levou uma surra, mas eu gostava dela. O filho da puta morreu 3 meses depois.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

22/junho – O dia em que me livrei de todos os problemas


Acabo de falar pro meu supervisor não foder minha paciência.
- Ah! Não fode, Gilberto. Porra!
E virei as costas.
Ontem, olhando um extrato do meu plano de previdência, me dei conta que já tenho 36 mil pra gozar quando chegar a hora certa. Acho que esse fato me deu certa confiança.
Não tenho a menor ideia do que o Gilberto vai fazer a respeito do meu comportamento, mas ele nitidamente vai ficar ressentido, sempre foi meio bobão, muito provavelmente não vai fazer nada agora, mas com o tempo vai ficar lançando indiretas na minha direção. Provavelmente o meu fim nessa merda de empresa de merda. Vou ter que pular pra outra merda.
Gilberto costumava ser maneiro na época que não tinha tanto trabalho, agora vive com a corda no pescoço e vive amedrontado. Tá com uma filhinha de 4 meses. Acho que eu nunca vou ajudar sujeitos do tipo dele: sofrido e cagão. No fundo, tenho certa empatia por ele pois sei que ele é maneiro, mas é muito medo pra pouco amigo. Que se foda ele então. Vai ficar pra sempre lambendo saco de chefe.
Eu não.
Eu acabo de mandar meu supervisor não foder minha vida e, por mais que ele seja cagão, eu não sou, faria isso com o gerente também, com outras palavras, mas faria.
Resolvi facilitar as coisas pra todo mundo, estou escrevendo minha carta de demissão. Vou viajar um pouco, passar uns 3 dias bebendo vinho e apertando uns peitinhos, até perder a consciência.
O que fode um pouco a minha rebeldia é a minha sensibilidade, acabo entendendo que pessoas como o Gilberto, que apesar de não fazer nada pra ajudar a vida de ninguém, não passa de um cagão pai de família e infantilóide. Chegar a esse tipo de raciocínio acaba por impedir que eu fique com raiva dele, mais do que tenho de tantas outras coisas.
A passagem já tá comprada, vou partir para uma cidade no sul chamada Gravataí, próxima a capital. Na hora procuro um hotel barato pra apagar todas as vezes que chegar da rua sem os  sentidos. Não existe nenhuma razão específica para essa viagem, mas também não existe razão pra ficar, cheguei a gota d’água.
Minha ex namorada me mandou um email semana passada relatando que eu deveria ter mais cuidado com as minhas atitudes pois ela ainda estava magoada com o nosso namoro acabado, uma conversa fiada do cacete que me faz lembrar exatamente porque terminamos. Não respondi 2 chamadas dela e ela parece ter ficado magoada. Acho que um dia ela vai entender que se eu não atendi, foi só pra livrar ela de falar merda pra quem não tádando bola.  E não dou bola mesmo, um dia ela vai perceber que eu sou um cara maneiro sim, mas que não to nem aí para o que ninguém pensa, nem o que ela pensa, nem para o que o Gilberto pensa e nem ninguém. Assim eu evito prestar atenção no que esta acontecendo por aí e faço o que eu quero.
Amanha estarei em Gravataí para chupar vinho e tomar peitinhos, to com 36 contos pra me aposentar e acabo de pedir demissão. Parece que meus problemas estão sumindo. E pra ajudar mais ainda o salário e o 13º saem amanhã. To na boa e sem ninguém pra atormentar.
Resolvi ligar pra minha ex e ver o que ela queria. Queria nada. Queria saber porque não atendi, porque demorei para retornar. Pensei estar falando com a minha mãe quando ela resolve encrencar com meus hábitos de vida, no fundo era assim que a tratava agora, como uma tia chatinha. Esse tratamento parecia não surtir nenhum efeito sobre ela.
- Poxa, não acredito que você não podia ter atendido na hora, porque você tá fazendo isso?
- Desculpa, mas tenho um compromisso agora, depois conversamos.
E em menos de 2 minutos já estava sem mais esse problema. Não devo mais esse tipo de satisfação a ela, estou com outra cabeça.
Pude ver o medo do Gilberto quando ele veio me perguntar se eu estaria mesmo pedindo demissão. Aposto que aquele cagão achou que ia sobrar pra ele. Cagão de merda. Expliquei que tinha chegado o momento e disfarcei negando não ter nenhuma relação com o ocorrido, que aquilo tinha sido uma consequência e que tudo continuaria na boa, mas que não dava mais pra ficar. Acho que era tudo que ele queria ouvir – não tocou mais no assunto.
Pronto. Já me livrei do emprego, do Gilberto, da ex. O dia seguinte de ontem já não é mais o dia seguinte de hoje, agora tudo esta confuso, imprevisível.
Vou pra Gravataí tomar chimarrão e beijar louras magras. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pensamento da noite

"MEU RACIOCÍNIO É EXTREMAMENTE LÓGICO.
MINHA LÓGICA É QUE É EXTREMAMENTE LOUCA"


Malandro...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ah como é bom...


Gravem esse dia, 13-05-2012. Se alguém não tem a menor ideia do que significa, pergunte a um torcedor do Manchester City, ele certamente irá abrir um sorriso de orelha a orelha e te responderá com o mais nobre ar britânico sendo levado ao desabrochar de uma informalidade impulsiva: “O dia mais feliz de minha vida!”.

Pois bem, isso não é à toa, pois após 44 anos sem levantar se quer um troféu da liga inglesa, a metade azul de Manchester pode enfim tirar o grito de campeão da garganta. Até aí tudo bem, pois se trata de um time recheado de bons jogadores comprados pelo dinheiro de um sheik árabe bilionário, e que chegou a última rodada do campeonato dependendo apenas de uma vitória em casa sobre o modestíssimo Queens Park Rangers, que brigava para não cair para a série B.

No papo, não!? Definitivamente não!

Vamos agora aos ingredientes que fizeram desse jogo um espetáculo desse esporte apaixonante:
1-      O City brigava pelo título contra seu arqui-rival e maior detentor de troféus da Premier League, o Manchester United.
2-      O rival vermelho, garantia sua vitória ao passar sem dificuldades pelo fraco Sunderland.
3-      Após sair na frente, os cityzens permitiram a virada do QPR.
Está bom ou querem mais? Pois agora vem o drama.

A torcida no Etihad Stadium estava de pé, os jogadores do City davam a alma em campo, pura pressão e corrida contra o tempo. Com um a menos o QPR se segurava como podia, o que fez dos minutos finais um verdadeiro ataque contra defesa.

Em Sunderland, torcedores do United já faziam a festa, comemorando mais uma vez um titulo inglês, mas dessa vez em cima do grande rival, que falhava em sua caminhada, abrindo espaço para os cânticos dos red devils.

Foi aí que a história começou a mudar, e da forma mais improvável e batalhada possível. Aos 46 do segundo tempo, num escanteio levantado na área, Dzeco empatou a partida. Restava apenas mais 4 minutos conforme acréscimo do juiz. A essa hora, a massa azul roía as unhas, escondia-se atrás de bandeiras; as mais variadas expressões de tensão eram vistas. Então, aos 49 minutos, com um minuto para o fim, Balotteli da um passe deitado para o argentino Kun Aguero penetrar na área, tirar 2 zagueiros e bater cruzado para o fundo da rede.

Em anos acompanhando o futebol vi muitas viradas, gols no fim, mas impossível não se emocionar com a explosão que foi vista no Etihad Stadium. Um verdadeiro delírio tomou conta das arquibancadas. Pais e filhos se abraçando, jovens se jogando um em cima do outro, gigantes ingleses aos prantos como crianças. A cena era da mais pura felicidade, aquela pueril, que encontra somente espaço para vibrar, expressar e sentir tudo de melhor na vida.

Um estádio inteiro veio abaixo, o City, após 44 anos de jejum, conquistava o campeonato nacional. E naquele momento não contava o dinheiro “obscuro” de seu dono, tampouco o fato de serem declaradamente menores que os demais rivais ingleses; naquele instante, naquele exato momento em que a bola de Kun Aguero tocou a rede pelo lado de dentro, o que realmente valia era ser torcedor, aquele que independentemente do time torce pelo clube.

Ao fim do jogo, invasão de campo, e uma cena em especial me foi muito peculiar: um enorme inglês, careca, com cara de hooligan, estilo filme, vestido com uma camisa com os dizeres “13-05-2012 I’ve been there”, se ajoelhou no centro de campo e pôs-se a chorar e enxugar as lágrimas na bandeira surrada. Ali me veio um doce sabor de como é bom o futebol, de como vale a pena seguir esse esporte tão bruto e tão passional ao mesmo tempo. Como diria o comentarista da partida “Como alguém pode não gostar de futebol!?”.

Sem dúvidas esse jogo já ficou na minha memória, imagina de um torcedor do Manchester City. Parabéns aos jogadores, torcedores e principalmente aos amantes do esporte bretão, pois foram devidamente retribuídos.

Reparem no transe em que entra o narrador de uma TV inglesa no momento do gol de Aguero, no vídeo do link abaixo:

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Música Boa de Verdade

Galerinha,

To aproveitando o nosso espaço cultural pra divulgar o trabalho do meu primo Juba.
Ele acabou de lançar um CD com muito esforço e as musicas são no mínimo muito boas.
É um sonzinho bem gostoso e de muito bom gosto, que tenho certeza, agradará 100% o público desse nosso blog.
Aos que quiserem dar uma força e ter o CD em casa, basta me procurar que providencio pela bagatela de R$20,00.
Agora é só clicar no link e curtir as músicas:
http://www.myspace.com/jubajuliano


Passar bem!


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Viva Raul


Não conheço praticamente nada sobre a vida pessoal de Raul Seixas, mas já cansei de ouvir suas músicas, ou melhor, não me canso de ouvir.
Esse texto, inclusive, é um convite para que as pessoas que admiram sua música vão ao cinema assistir o filme que esta saindo sobre ele, não sei se é bom, mas independente de qualquer coisa, é uma grande iniciativa.
Enfim. Pensar na figura dele é emblemático. Apesar dele ter falecido em 89, antes da maioria dos leitores desse blog de ter noção de coletivo, nação ou noção de si mesmo. Quem conhece sua obra (musical), sabe que sua ausência física não o impediu de influenciar as pessoas. Quem nunca se identificou com algum de seus versos? Quem nunca deu razão a ele?

Que figura é chamada de maluco num sentido tão abençoado? Ser maluco beleza é uma filosofia, uma marca de desapego.

Assistindo algumas entrevistas dele você se pergunta: que tipo de pessoas daria atenção ao que esse estranho fala, e ao ouvir suas canções você se pergunta que tipo de idiota não daria razão a este sábio.

Que espécie de pessoa era? Um louco, visionário, gênio, drogado, um simples cantor?
Raul Seixas não me deixou memórias, simplesmente porquê não somos contemporâneos, porque não tive acesso a sua vida, mas, mais importante do que isso, ele me deixou ensinamentos, pensamentos e atitudes. Ele deixou sua marca e uma mensagem de auto-estima para aqueles que se questionam sobre seu papel no mundo, sua existência.

O Maluco Beleza nos ensinou sobre a vida, a ansiedade, sobre o amor e a amar. Um mestre.

Farei questão de conhecê-lo quando partir desta para uma melhor e faço questão de admira-lo nesta vida, até porque, pelo o pouco que sei, nunca fez mal a ninguém.
Independente de rótulos, seja um simples cantor, doido, gênio ou pirado, pra mim Raul Seixas é inspiração, alguém que transmite paz e sabedoria, elimina de cara a perfeição das coisas e te acorda pra vida que realmente importa. Não adianta ser careta e não se sensibilizar com o mundo, não adianta ser doidão e não pensar nas consequências dos atos.

Raul ensina até hoje através de seus hinos, e ensina que viver estar muito além de nosso controle e sabedoria, ensina a reconhecemos nossa pequeneza diante de um mundo sem lógica definida. Raul é eterno. E que TOQUEM RAUL!


quinta-feira, 29 de março de 2012

Aforismos millorfernandianos

Como já disseram por aí, "o aforismo jamais coincide com a verdade; ou é uma meia verdade ou uma verdade e meia". Gostava bastante do Millôr Fernandes, que acaba de partir. E gosto muito de aforismos, uma de suas muitas especialidades. Então vai aí uma pequena homenagem póstuma, com algumas frases dele que selecionei para desfrute. Enjoy:

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De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência.

O melhor movimento feminino ainda é o dos quadris.

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, então diga isto com uma imagem.

Trabalho não mata. Mas vagabundagem nem cansa.

Todo homem nasce original e morre plágio.

O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde.

Quando o homem sabe que certa mulher já cedeu a alguém, ele não resiste em verificar se a história se repete.

Eu não quero viver num mundo em que não possa fazer uma piada de mau gosto.

Gastronomia é comer olhando pro céu.

Um homem que come carne por instinto é tão vegetariano quanto um homem que come vegetais por princípio. Afinal de contas, a carne é transubstanciação do capim que o animal comeu.

A diferença fundamental entre Direita e Esquerda é que a Direita acredita cegamente em tudo que lhe ensinaram, e a Esquerda acredita cegamente em tudo que ensina.

Tenho horror do governo dirigir todos os meus atos. Essa lei de tolerância zero para o álcool no trânsito, por exemplo: tolerância zero é intolerância cem. Mas o anarquismo político é impossível, porque o primeiro espertalhão vai sempre tomar o poder.

Por mais violento que seja o argumento contrário, por mais bem formulado, eu tenho sempre uma resposta que fecha a boca de qualquer um: vocês têm toda a razão.

Em ciência, leia sempre os livros mais novos. Em literatura, os mais velhos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Estudo comprova. Esta Estatisticamente Provado –-> 100% Levianos e Hostis


Don Harvey, pesquisador acadêmico de uma universidade dos EUA, gera polêmica ao alegar publicamente que a maioria das mulheres que diz que já deu no primeiro encontro, e se diz arrependida, dará no primeiro encontro novamente com uma probabilidade de aproximados 81%. Ou seja, as que se dizem arrependidas por tal feito, no fundo, ou se enganam, ou estão tentando enganar os outros (essa última conclusão foi eu mesmo que tive).
Harvey, que é matemático, comprova estatisticamente sua pesquisa através de estudo que levaram 3 anos pra se comcluir, e incluiu 508 mulheres americanas. Durante esse período, ele mesmo diz ter “pegado” 28 pesquisadas na mentira (nos EUA o primeiro encontro é algo meio que oficial, e não quer dizer que o casal esta se conhecendo naquele dia, mas sim, oficialmente saindo pra ver no que da naquele dia).

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Em Pequin, uma chinesa de nome engraçado, Kareca Yomi, recém-doutorada em ciências atuariais, apresentou um artigo que afirmava que a combinação de álcool e ressaca ao longo da vida das pessoas podia garantir cerca de 8 a 11 anos a mais na expectativa de vida comparadas àquelas que só bebem e não têm ressaca. Apenas álcool diminui a expectativa, explica Yomi, mas aqueles que têm ressaca no dia seguinte, e sofrem com isso, acabam recebendo a recompensa no final de suas vidas. O efeito se dá porque o organismo que sente ressaca se fortalece da bebedeira lutando contra os males provocados pelo álcool, enquanto aquele que não sente, simplesmente se adapta, deixando o organismo mais acessível aos efeitos do álcool, gerando doenças colaterais crônicas, como câncer no fígado e no pâncreas.
Repare que Yomi é uma cientista atuarial, e sua pesquisa pode influenciar diretamente os métodos de utilizados para calcular seguros de vida. A partir de um universo 1048 “velhinhos e velinhas cachaceiros” pesquisados, entre eles, amigos e familiares, a doutora montou sua tese sem nenhuma base médica ou cientificamente comprovada, no entanto seus números são irrefutáveis, e garantiram seu diploma. Aproximadamente 96% daqueles que reclamam de dor após longas bebedeiras, simplesmente não possuíam nenhum tipo de doenças crônicas ou eram dependentes de medicamentos pesados, já os “velhinos doidões” que a vida inteira se deram bem, e não tinham nenhuma ou tinham pouca ressaca, agora, velhos, apresentam os quadros mais graves.

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E ainda existem outras pesquisas que comprovam outras coisa. Que cerveja e café juntos faz bem, que ovo faz mal, que ovo faz bem, que o mundo será bissexual em 2050, que pessoas que cantam pra passarinhos nas ruas têm 46,8% mais chances de serem atropelados. E tem as pesquisas que associam, por exemplo, li numa revista:se você gosta ou tem um ou mais cachorros , gosta de pizza de mussarela, é filho caçula e já repetiu de ano, a probabilidade de você se casar com uma mulher mais jovem é de impressionantes 86%! E no caso das mulheres, essa margem sobre pra 89%, só que essas se casam com homens mais velhos. Mais que bruxaria é essa? Vai entender...

Só posso dizer que banalizou. Qualquer estudo comprova qualquer coisa hoje em dia, e a estatística, tão exata, tão completa, prova por a+b. Queria ver comprovar quantos estudiosos não estão só passando o tempo e acoxambrando seus empregos procurando dados inimagináveis para poder comprovar alguma coisa. Essa pesquisa aí eu queria ver.

domingo, 25 de março de 2012

Que merda!


Algumas questões são naturais, portanto, não adianta querer evitar: você tem que comer, tem que cagar, tem que beber, tem que mijar, tem que dormir e tem que sentir tesão. São condições por sermos animais.

Porém, não somos simples animais, somos capes de memorizar, pensar rápido e de premeditar ações, e isso é único! Mesmo assim, mesmo com essa vantagem competitiva, não podemos ousar esquecer nosso lado animal, que vai além, a parte animal do ser humano é muito mais forte que a parte genial, e por mais que nos esforcemos, nunca vamos deixar de cagar, mijar, dormir e foder! É uma condição, não uma opção! Já a parte da genialidade e inteligência...se vê muita gente dispensando por aí, e como se vê.

No dia a dia, vejo as pessoas sentirem vergonha de cagar, pedindo licença pra mijar, simplesmente dormindo menos e evitando tocar no assunto sexo. 

Mas porque seria? Porque tentamos negar o que viemos fazendo desde os tempos de Adão? 

É mais fácil ver gente falando que sacaneou outra pessoa do que falar que esta com vontade de cagar, e precisa ir ali aliviar. Tem gente que não leva desaforo pra casa, mas passa um aperto imenso pra aceitar que precisa cagar na casa de uma pessoa estranha...por mais estranho que pareça hoje em dia, acho que seria mais normal se fosse o contrário, mais natural.

Em que momento passamos a não querer não ter mais vontade de cagar, reprimindo nossa natureza? 

Virou hábito dormir pouco, cagar rápido! 
Os banheiros estão menores, melhor decorados, os papéis mais perfumados, coisas refinadas e no fundo superficiais.

Queria poder mudar essa cultura, queria poder cagar em paz.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Entediado

Após uma grave contusão no tornozelo, Comodoro deve passar 60 dias de recuperação em casa. Este é o registro de seu tédio durante esse período. Confira o vídeo abaixo e aproveite a música!


segunda-feira, 19 de março de 2012

t.u.q. II

Pratique você também. É divertido e refrescante.
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Aí,
malandro,
foi tu que pegou minha mochila
entocou uma chinchila
matou minha tequila
atualizou meu Mozzila
enfrentou o godzila
peidou pro Maguila
cheirou clorofila
inaugurou uma cantina
ficou parado na esquina
e chupou a virilha de uma argentina numa ilha na China que vendia chá de camomila,
maláándro?
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Aí,
se é que tu tem álibi...
foi tu que esqueceu o fatality
lançou um babality
assistiu ao reality
gritou “cale-se, cale-se”
tomou um porre de cálice
viajou pra península árabe
visitou o teu primo que é dalit
ganhou um copo de mate
tomou a metade
ficou à vontade
e quando ninguém quis te acompanhar a um show do Celebrare
achou que era o fim do mundo e rogou uma praga no Paul McCartney?

segunda-feira, 12 de março de 2012

t.u.q. (tag unecessary questions)

Aí,
foi tu que comeu um brioche
com o Alan Prost
tomou um shot
matou a Orloff
encheu o pote
pegou teu Porsche
ligou pra Björk
foi pra Nova Iorque
vestiu um broche
torceu pro Sport
e teve lordose?

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Aí,
foi tu que foi num chinês em Chicago
pediu um shimeji e um shitake
comeu na xícara
vestiu o chinelo
tocou xilofone pra Cheetara
e xingou o Chimbinha de X-9?

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Aí,
foi tu que caiu da caçamba
naquele desfile de escola de samba
no norte do Sri Lanka
foi no show do Pe Lanza
bolinou um urso panda
ligou pra pequena Cassandra
falou que ela não era uma santa
chamou seu irmão de pilantra
sua irmã de baranga
sua mãe de malandra
seu tio-avô de sacripanta
imitou uma salamandra
lançou uma contradança
se disse o mestre do tantra
rasgou o crochê da sua tanga
soltou de uma vez  a franga, gritou “jogue-me suas tranças”
e dançou o Conga La Conga só de vingança nas ruas de Ruanda nas bodas de chongas da Samanta?

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Que mal lhe perguntem:
foi tu que tatuou um totem
quando esteve na Holanda e encontrou o Robben
comeu couve-flor e cheirou o pólen
anunciou o fim do mundo por mais que todos roguem
previu o vice-campeonato por mais que todos joguem
ficou nu no desfile da Osklen
apontou para os narizes que no frio escorrem
e quando entrou com a camisa errada no meio da Torcida Jovem
lembrou da sua infância em Copenhagen e disse Houston, we have a problem?

terça-feira, 6 de março de 2012

Diálogos insanos de 3º grau

- Cara, esses dois últimos anos estão sinistros... Acho que tive mais empregos que o Henry Chinaski em “Factótum”...
- Quem é Henry Chinaski?
- Nunca leu Bukowski?
- Filho, enquanto tu tava lendo Bukowski eu tava pegando mulé no Bukowski.
- Se tu chama aquelas lá com quem eu costumo te ver de mulé...
- Mas barangueiro o tal do Bukowski também era, né?
- Verdade. Retire o que eu disse. Aquela velha história de que não existe mulher feia...
- Mas enfim... qual foi, tá rodando tanto por quê?
- Tudo me enche o saco muito rápido.
- ...
- Eu mando nego ir se foder muito rápido também... Da última vez reclamaram quando colei o panfleto do “Direito à Preguiça”, daquele francês Paul Lafargue, na parede do trabalho. Só isso deu mó confusão, de bobeira, e ter tirado as calças na sala do meu chefe também não ajudou...
- Brother, não sei se tu é maluco de verdade  ou gosta de polemizar.
- Um poucos dos dois. O grande diferencial entre uma pessoa é outra é a capacidade de jogar tudo pro alto.
- Tá todo filósofo viajandão, hein... Tava lendo “A Erva do Diabo”?
- Esse é um clássico.
- Eu só não li todo porque faltou seda e meu irmão arrancou umas páginas.
- Hahaha... Mas então, o Bukowski, ou seu alterego no livro, ou enfim, subsistia em empregos que não se interpunham entre ele e escrever. O maluco fazia de tudo, de cidade em cidade, no estilo “foda-se”, vamos beber, amanhã eu escrevo de ressaca.
- Mas e tu, vai trabalhar, virar escritor ou ficar de ressaca?
- A questão é que se eu trabalho pra valer eu não consigo escrever e se eu escrevo pra valer eu não consigo ganhar dinheiro. E se eu bebo pra valer não consigo fazer nenhum dos dois.
- Por isso que eu digo: tudo na vida é matemática. Resolver as equações é a parada. E às vezes, pra achar o x lá na frente, tu tem que se concentrar no y aqui atrás.
- Agora tu que filosofou, apesar de esse “y aqui atrás” ter soado meio viado. Mas tá certo. A vida é matemática, seja na vontade do homem de racionalizar o mundo ou na vontade do mundo de racionalizar o homem. Quem garante que aquela mulézinha que tu pegou no Bukowski não passou de um impulso químico-matemático do teu corpo, em vez de carência como tu alegou naquele dia? Já acharam até Deus por fórmula matemática.
- Cara, tu não tá puro com certeza. Qual o objetivo da vida pra você?
- O meu é conquistar 14 territórios, sendo pelo menos dois deles “galé”, e a Oceania. O seu eu não sei.
- Conversar contigo é mais difícil que entender a Teoria do Caos.
- Ou os Teoremas de Incompletude de Gödel. Decida-se e tire a sua carta: sorte ou revés?
- Mas então, mudando de assunto... Tu já viu aquele filme “Tomates Verdes Fritos”?
- Só vi até a parte do “verdes”... não cheguei a ver fritarem os tomates...
- Aí não adianta. Então me fala, o que você tá lendo agora?
- Tô relendo pela terceira vez um livro que nunca li, mas que tô gostando muito, apesar de ainda não ter começado: "Rubaiyat", do Omar Khayyam. É um poeta, matemático e astrônomo persa que viveu...
- Persa? Cara, por que tu não lê algo que tenha sido escrito pelo menos dos últimos mil anos pra cá... tá parecendo um ancião!
- Sou tão antigo e tão novo quanto a luz que nasce a cada dia...
- Que isso, brother? Tomou suco de clorofila com vodca?
- Tô numa onda meio poesia... Atualmente eu só leio poesia.
- Sério?
- Até remédio... só tomo remédios cuja bula rime.
- Tu é doente.
- Remédio serve pra isso.
- Mas tu tá escrevendo, afinal?
- Aos trancos e barrancos, até que tô. Tô inclusive já na 97ª página do que eu quero que seja o meu primeiro romance, apesar de estar lendo poesia. Só não tá tão adiantado porque tô escrevendo primeiro as páginas ímpares, pra só depois partir pras pares.
- Cara, o teu livro pode ser uma merda, mas isso daí é inédito.
- Pois é, não podem falar que eu não tô inovando a literatura.
- E já sabe qual seria o nome do livro, do que trata... ou do que não trata?
- O livro vai ser uma parada meio doida... meio que minha autobiografia não autorizada... o nome é “Eu sei o que o Woody Allen fez no verão passado”.
- “Autobiografia não autorizada” também é uma ideia nova...
- Minha ideia é juntar reminiscências ao roubo de citações e passagens de livros famosos, usando como se fossem minhas, com o objetivo de tentar ser processado e promover o livro. Foi a melhor estratégia de marketing que bolei até agora. E lançar essa porra toda logo num e-reader, com o texto todo hyperlinkado. Kafka fundou o imaginário moderno no século XX e a leitura no século XXI é toda fragmentada. A internet é cheia de hyperlinks, mas tu já leu um livro com hyperlinks? Um livro que toque música? Um livro que te faça um cafuné? Cafuné eu aceito até de iPad.
- Tu é mesmo revolucionário...
- Revolucionário até a página 2... quer dizer, a 3, já que a 2 eu ainda não escrevi. Mas o livro também tem pensamentos que podem ser considerados machistas, como o de que a principal característica que uma mulher precisa ter pra casar é saber fazer uma boa omelete.
- Cara, tu acha que vai conseguir concatenar todas essas ideias num mesmo livro? Woody Allen, omelete... tô achando a parada meio desconexa...
- Brother, a última coisa que eu penso quando escrevo é em fazer sentido.
- Agora tudo fez sentido.
- A única recomendação que eu sigo é a que ouvi de um professor certa vez, que é na verdade o maior conselho que um grande escritor pode dar a um aspirante à literatura: “Ao final de qualquer frase que seja uma pergunta, ponha um ponto de interrogação. É incrível o efeito que isso provoca”.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O seu ânus acabou de começar!


Abre o olho malandro, carnaval passou, diferentemente daquela coceira que você tá sentindo na virilha há uns 3 dias.

Num ri não malandro, amanhã tem trabalho, e apesar do seu chefe ter passado dias ótimos num resort com a família, pra ele, nada mudou.

Para aqueles que perderam a linha e o carretel durante a folia e continuam meio ressaquiados, fiquem tranqüilos, existem alguns Santos e Entidades que os protegem. 

Os de diversão moderada certamente já estão se preocupando com o despertador de amanhã. Me impressiono também com as pessoas que fogem do carnaval. Que tipo de experiências traumáticas tiveram em suas vidas? Não quero nem pensar nisso.

Mas, independente de que tipo de carnaval você teve, uma realidade não te escapa, amanhã começa o ano. E começam também as cobranças daqueles projetos que ficaram sendo tratados a partir de emails curtos e desinteressantes..... Começa a procura de novos clientes, a renovação de contratos, o inicio das aulas, uma correria só.

Independe de como tenha sido seu carnaval, amanhã não tem jeito! Abre o olho malandro.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sem Destino


Janeiro já virou passado, e como já virou prática comum nos dias de hoje, os dias escorrem pelos dedos.

Carnaval é energia. 
Existem momentos no ano os quais estamos mais animados, outros em que o que queremos mesmo é dormir. O carnaval é uma recarga nacional de energia, não existe baixo astral.

Viva o samba!

Chegou a hora de tentar puxar as barbas de Deus, chegou a hora de chutar o balde.

Aqueçam-se todos os tamborins!

Carnaval é época de alegria, positividade e abstração!? 
Abstração das preocupações, do sono, da responsabilidade, abstraímos as contas, o trabalho acumulado, tem gente que abstrai até filho, marido e namorada.

Sai por aí, não fica em casa não...sai sem destino...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Nobre Coração


Em meio ao caos da arbitragem carioca, e por que não brasileira, vou me manter alheio a essa discussão que se tornou mais evidente no clássico carioca entre Vasco x Fluminense, que teve o time da Cruz-de-Malta vencedor, num jogo até legalzinho pros padrões desse estadual.

Mas a questão que mais me inspirou a escrever esse post não foi o “choro” tricolor, tampouco a classificação indiscutível do time da colina, mas sim o outro lado do futebol, o lado da superação, da humildade, o lado às vezes místico que envolve não só o futebol, mas o esporte.

Ontem foi realizada a final da Copa Africana de Nações, e eu, obviamente, não perderia isso, pois além de um viciado em futebol, acompanhei os principais confrontos. Não iria deixar de ver logo o derradeiro embate.

No campo da cidade de Libreville, no Gabão, estavam lado a lado duas realidades completamente distintas, que simbolizam a grande diferença social, não só enfrentada por aquele continente, mas evidenciada como um todo na realidade mundial. De um lado a seleção da Costa do Marfim, com jogadores consagrados no futebol europeu, como Drogba, ídolo do milionário Chelsea da Inglaterra, e outros como Kalou, Yaya Touré. Do outro lado do campo estava a personificação da vontade, a Zâmbia. Time cujo elenco conta apenas com um jogador que atua na primeira divisão europeia, e a maioria atua no futebol local.

A diferença se via já no porte dos atletas, enquanto os Elefantes (apelido da Costa do Marfim) tinham uma seleção forte, de jogadores altos e bem nutridos, os Balas de Prata (apelido da Zâmbia) era composta por jovens mirrados e franzinos. Um verdadeiro Davi contra Golias.

A campanha: Costa do Marfim ganhou todos e não tomou gols; Zâmbia passou aos trancos e barrancos por adversários considerados superiores, como Senegal e Gana, e com muito brio ali estava.
Bola rolando e o que se viu em campo foi o suprassumo da vontade de vencer. Times partindo pra cima, chances dos dois lados, e a valente Zâmbia segurando como podia as investidas de Drogba e cia. Até que um lance poderia ter mudado toda uma história, e quando digo história falo do dia 27 de abril de 1993.

Nesse dia, na cidade de Libreville, palco da final em questão, um avião com jogadores e comissão técnica da seleção de Zâmbia, então melhor esquadrão africano, caiu numa praia matando todos. Uma tragédia considerada a pior da história de Zâmbia e que deixou feridas que nunca cicatrizaram. A seleção dada como certa na Copa de 94 nos EUA, não conseguiu a classificação, e aquele trauma parecia ter sido levado para os campos.

Mas no capítulo da decisão, a tragédia parecia ser outra. Aos 25 minutos do segundo tempo, o juiz assinalou pênalti para a Costa do Marfim. Todo suor zambiano parecia ter sido em vão. Então o melhor jogador do continente africano, Drogba, partiu pra cobrança, e como num filme de suspense, a bola delicadamente tomou o rumo pra longe do gol. Esperanças renovadas, Zâmbia estava no jogo e agora tudo era possível.

O tempo normal acabou, a prorrogação se manteve no zero e a dura realidade dos pênaltis veio a tona. Após oito cobranças de cada lado, com toda a sua paciência e ponderação, o destino colocou nas mãos de Zâmbia o tão sonhado e suado troféu de campeão.
O estádio, em sua grande maioria torcendo pelos Balas de Prata, foi a loucura. Uma festa de emocionar até o mais duro coração. Era uma felicidade pura, e que teve como grande inspiração, a visita que os jogadores e comissão técnica fizeram a praia onde ocorreu o acidente, dias antes do jogo. Como se cada flor jogada ao mar fosse um pulmão a mais para eles. Estava ali não só um time, mas um país em catarse.

Uma lição de heroísmo de meninos que viraram homens, de um país que resgatou sua autoestima, de uma luta por um alento no coração de um povo, que foi representado a altura por jovens guerreiros.




Levianos e Hostis - Damn Idiots


Vou colocar um bloco na rua: SALVEM OS IDIOTAS. Será garantia de sucesso.

Antes, gostaria de salientar que esse poderia ser um texto muito mais bem humorado, no entanto a indignação pesa mais forte....

Se, simplesmente, você parar para assistir o comportamento das pessoas passeando livremente nas ruas por 30 minutos, ou 10 minutos numa feira ou, até mesmo, incríveis 17 segundos na fila do Mundial, a conclusão será que mundo se idiotalizou completamente.


Saindo pra fazer umas compras no mercado, me deparei com um pai preocupado em fazer as compras da escola para seu filho.
O bom senhor aparentemente resolveu tirar sua sagrada manhã de sábado para se dedicar a tal tarefa com seu pimpolho, calçou o velho chinelão e lá foi ele, serelepe, resolver essa pendenga. Entrou com carrinho para fazer compras escolares, se preocupou também em carregar uma bolsa própria para depois carregar os materiais, andou um pouco e se dirigiu a um funcionário:
- Onde é a seção de material escolar?
- Infelizmente não temos senhor.
- Vocês não têm material escolar nenhum?
- Nadinha senhor, zero!
- Nada?
- Nadinha.
E continuou com mais 13 ou 19 perguntas extremamente relacionadas:
- Lápis?
- Não!
Apontador?
- Não.
- Caneta, borracha?
- Nadinha.
O careca pega sua bolsa própria do carrinho, olha indignado pro seu filhote e deixa o recinto. Não diz obrigado ao vendedor, deixa o carrinho largado no meio do corredor..... que idiota!


Já no caixa para pagar, me deparo com um carrinho cheio de compras parado colado no caixa, pergunto a mocinha se existe alguém “ali” e ela diz que sim. Me vejo então numa situação que o próximo a ser atendido é o carrinho fantasma e logo depois sou eu, enquanto outras pessoas também estão na fila.
Peço licença ao simpático carrinho e passo a frente para ser atendido. Finalizando minha compra, chega o supremo guardião de filas como se nada estivesse acontecendo, e como se fosse normal monopolizar filas aleatoriamente... um tremendo idiota.


Na saída tem o tiozão parando o carro em cima da faixa de pedestres para abastecer seu carango com as compras do mês de maneira mais prática, tem a vovó vendendo balinhas ou ervas na sombra da calçada apertada, e muitos outros cretinos e idiotas passeando felizmente pelas ruas.
Agora vamos agüentar um pouquinho mais os idiotas do carnaval. ÊÊÊÊ.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O circo foi embora?


Parece que enfim acabou a palhaçada na Gávea...ou pelo menos foi dado um passo importante para tal.
Na tarde dessa quinta-feira, pós altíssima vitória sobre o scratch do Real Potosí, me deparei com a notícia de que a “poderosa” presidenta (essa porra de presidentA ta mesmo certo?) do Flamengo demitiu toda a cúpula do futebol. Aliás, já havia passado da hora de uma atitude no mínimo, falando bem por baixo mesmo, sensata da mandatária rubro-negra.

Cá entre nós, desde quando um técnico cujo ultimo titulo havia sido um campeonato mineiro (caramba!!!), e que não ganha nenhum título expressivo desde 2004, chega num clube do tamanho do Flamengo com carta branca para mandar e desmandar em todo o departamento de futebol. Isso sem falar no astronômico salário, comparado ao de estrelas que atuam dentro de campo. Há anos esta faltando humildade por essas bandas.

Não vou julgar nem apontar dedo na cara de ninguém - quem sou eu pra isso - mas queria muito uma explicação plausível para entender o porquê de um técnico precisar levar cerca de 10 auxiliares pra trabalhar com ele. Seriam mesmo auxiliares ou os famosos “peixes”? E os profissionais do clube, criados e talhados lá, não servem? Porque agora é a eles que terão que recorrer.

O cara tem ao seu lado um time de futebol vestido de comissão técnica, arruma confusão com o elenco, da oportunidade somente a jogadores que, dizem por aí, estão sob tutela de seu “parceiro” empresário, e no final de tudo ganha o que? Ah tá, um carioca invicto. Na boa, sabe o que o flamenguista consciente pensa? “Foda-se”. O Cariocão (usei o aumentativo pra mostrar que é um campeonato inchado e não grandioso) só serve pra alimentar a sadia rivalidade regional, mais nada.

Mas esse cortejo de “sabichões” que circulavam pela Gávea, obviamente, não se restringia somente aos citados. Vale ressaltar aqui o episódio proporcionado pelo inoportuno ex-diretor executivo. “Meo Deos...”. Como um diretor de uma entidade regida por mais de 35 milhões de seguidores pode vir a público fazer piada de salário atrasado. Ah, tenha a santa paciência! Sério mesmo que alguém olhou pra ele e disse “taí um profissional!”? Quem foi esse gênio então?

Meu querido, entenda uma coisa muito simples no mercado: assinou o contrato, cumpriu o contrato. Não gostou, não contrata, deixa Ronaldinho e cia seguirem seu rumo. Agora, vir a publico pra literalmente vomitar palavras é coisa de amador.

Por mim pode juntar esse bolo todo aí, colocar no mesmo saco outros “malandros” que ainda circulam pelos corredores do rubro-negro e mandar pra bem longe. Não só do futebol do Flamengo, mas pra longe do futebol. Todos nós agradecemos.

Só pra constar: com ou sem crise, salário atrasado, sanguessugas, e outras cositas mas, futebol se resolve dentro de campo; e com total merecimento, o Flamengo se junta a Fluminense e Vasco na Libertadores. Tá chato ser carioca, hein!!!

Passar bem.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tecnicamente tecnobrega


Vocês já ouviram uma mistura de Strokes, Odair José e tecnobrega? 


Inusitado, não? Os (ir)responsáveis são Mateus Carrilho, Davi Sabbag e Candy Mel, da Banda Uó, que vem se transformando em um fenômeno na web. Os caras (a vocalista Candy Mel é traveco) já saíram até na Vanity Fair, revista americana das boas, definidos como uma das mais geniais bandas brasileiras dos últimos tempos pelo Diplo, DJ consagrado e simplesmente o produtor do último disco da Beyoncé (a gringa... da brasileira eu falo daqui a pouco).

Meio exagerado, mas enfim. É tão ruim que é tão bom, diriam alguns. Admirador de gente como Rogério Skylab e Falcão, eu vou meio por esse lado. Não que o som desses três seja parecido, pelo contrário, ao menos musicalmente. A Banda Uó, inclusive, não faz nem exatamente “o próprio som”, na maioria das vezes: eles usam e abusam dos samples, covers e versões. Seu maior hit, por exemplo, é um sample da Willow Smith, a sensacional e tosco-cult “Shake de Amor”. 


Tudo isso, na verdade, vem de um grande movimento tecpix-musicológico em que a fusão da universalização dos gadgets digitais com a anarquia do-it-yourself do punk setentista mais o ideal creative commons do século 21 gera um mash-up de influências nas cabeças mais alucinadas do planeta, pro bem e pro mal. Seja lá o que eu tenha tentado dizer com essa frase (me preocupei mais com as vírgulas, ou falta delas).

No Brasil, a Banda Uó faz parte de um coletivo – ou movimento – autointitulado Avalanche Tropical, que mais ou menos pega ritmos regionais e da periferia, muitas vezes menosprezados, e leva a um circuito alternativo de circulação, com estratégias de divulgação do rock independente (o chamado indie rock). Quem encabeça essa patota são os mentores do Bonde do Rolê, que beberam da fonte do funk carioca e também fizeram sucesso lá fora, com o álbum With Lasers. Não por acaso, hoje eles produzem e empresariam a Uó. Engraçado como as coisas se misturam, né?

“Eu vou samplear, eu vou te roubar”. Esse é o refrão do mais recente sucesso da Gaby Amarantos, melhor conhecida como a Beyoncé do Pará, a nova musa do tecnobrega. O clipe da música, acreditem, foi dito pelo respeitado antropólogo Hermano Vianna como um dos melhores de todos os tempos. Tá bombando a parada. 


Se a moda vai ficar ou não, essa é outra pergunta, e não a façam a mim, pequenos bastardos. Permito-me no máximo me perguntar: seriam os deuses astros bregas? Imagina um power trio com o vocalista vestido de Jesus, um Buda na bateria e Krishna tocando guitarra. Acho que vou lançar uma banda de calypso-eletrogospel... 
 

Diferença entre presídio e trabalho

PRESÍDIO
Você passa a maior parte do tempo numa cela 5x6m.
TRABALHO
Você passa a maior parte do tempo numa sala 3x4m.
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PRESÍDIO
Você recebe três refeições por dia de graça.
TRABALHO
Você só tem uma, no horário de almoço, e tem que pagar por ela.
_______________________________________________________

PRESÍDIO
Você é liberado por bom comportamento.
TRABALHO
Você ganha mais trabalho com bom comportamento.
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PRESÍDIO
Um guarda abre e fecha todas as portas para você.
TRABALHO
Você mesmo deve abrir as portas, se não for barrado pela segurança por
ter esquecido o crachá.
_______________________________________________________
PRESÍDIO
Você assiste TV e joga baralho, bola, dama…
TRABALHO
Você é demitido se assistir TV e jogar qualquer coisa.
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PRESÍDIO
Você pode receber a visita de amigos e parentes.
TRABALHO
Você não tem nem tempo de lembrar deles.
_______________________________________________________
PRESÍDIO
Todas as despesas são pagas pelos contribuintes, sem seu esforço.
TRABALHO
Você tem que pagar todas as suas despesas e ainda paga impostos e taxas
deduzidas de seu salário, que servem para cobrir despesas dos presos..
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PRESÍDIO
Algumas vezes aparecem carcereiros sádicos…
TRABALHO
Aqui no trabalho, carcereiros usam nomes específicos: Gerente,
Diretor, Chefe…
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PRESÍDIO
Você tem todo o tempo para ler piadinhas.
TRABALHO
Ah, se te pegarem…
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TEMPO DE PENA
No presídio, eles saem em, no máximo, 15 anos.
No trabalho você tem que cumprir 35 anos, e não adianta ter bom comportamento.

"Dicas para usuários: o que não fazer com o cara da TI"


Como colaborador deste humilde espaço, profissional da area de TI, agradeço ao Marcelo Varejão pelo convite e inicio os trabalhos postando algumas dicas sobre o que NÃO fazer quando você liga para o "carinha da TI".

Abraços e boa leitura.



1) Não tente explicar como resolver o problema. Se você soubesse não ligaria para ele;


2) Não ligue para ele e em seguida peça ‘2 minutinhos’. Se fizer isso, ele vai te pedir pra esperar 2 minutinhos e você vai esperar 2 meses;

3) Não peça ajuda no horário do almoço, a não ser que você ofereça um chocolate como sobremesa;

4) Não minta, dizendo que não fez a bobagem que causou o problema. Se você foi o responsável, fale a verdade. Mentir fará o problema demorar mais a ser resolvido e você pode acabar ficando sem MSN ’sem motivo aparente’;

5) Sugerir opções de solução para o problema é crime inafiançável. Idéias como “será que é o clima?”, “eu sabia que não devia ter apertado enter com tanta força” e afins são motivos de chacota na sala de TI.

6) Ficar xeretando ‘por cima do ombro’. Isso não é coisa que se faça em situação nenhuma da vida. É tão feio quanto encoxar a própria mãe no tanque;

7) Não ache que porque ele resolveu seu problema vocês viraram ‘amigos’. Se insinuar pra ganhar privilégios fará você perder as ínfimas regalias que já possui por opção da empresa;

8) Seu computador de casa está com defeito? Puxa, que pena, né?

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Nova versão

*COISAS QUE TODOS PRECISAM SABER A RESPEITO DO CARA DO TI*

*1)** **O CARA DO TI dorme. Pode parecer mentira, mas o CARA DO TI precisa dormir como qualquer outra pessoa. Esqueça que ele tem celular e telefone em casa, ligue só para o escritório;*

*2)** **O CARA DO TI come. Parece inacreditável, mas é verdade. O CARA DO TI, também, precisa se alimentar e tem hora para isso; *

*3)** **CARA DO TI pode ter família. Essa é a mais incrível de todas: mesmo sendo um CARA DO TI, a pessoa precisa descansar no final de semana para poder dar atenção à família, aos amigos e a si próprio, sem pensar ou falar em (…infor……), impostos, formulários, consertos e demonstrações, manutenção, virus e etc, …; *

*4)** **CARA DO TI, como qualquer cidadão, precisa de dinheiro. Por essa você não esperava, né? É surpreendente, mas o CARA DO TI também paga impostos, compra comida, precisa de combustível, roupas e sapatos, e ainda consome Lexotan para conseguir relaxar… Não peça aquilo pelo que não pode pagar ao CARA DO TI; *

*5)** **Ler, estudar também é trabalho. E trabalho sério. Pode parar de rir. Não é piada. Quando um CARA DO TI está concentrado num livro ou publicação especializada ele está se aprimorando como profissional, logo trabalhando..; *

*6)** **De uma vez por todas, vale reforçar: O CARA DO TI não é vidente, não joga tarô e nem tem bola de cristal, pois se você achou isto demita-o e contrate um PARANORMAL OU DETETIVE. Ele precisa planejar, se organizar e assim ter condições de fazer um bom trabalho, seja de que tamanho for. Prazos são essenciais e não um luxo… Se você quer um milagre, ore bastante, faça jejum, e deixe o pobre do CARA DO TI em paz; *

*7)** **Em reuniões de amigos ou festas de família, o CARA DO TI deixa de ser o CARA DO TI e reassume seu posto de amigo ou parente, exatamente como era antes dele ingressar nesta profissão. Não peça conselhos, dicas… ele tem direito de se divertir; *

*8)** **Não existe apenas um “levantamentozinho”, uma “pesquisazinha”, nem um “resuminho”, um “programinha pra controlar minha loja”, um “probleminha que a maquina não liga”, um “sisteminha”, uma “passadinha rápida(ALIAS CONTA-SE DE ONDE SAIMOS E ATÉ CHEGARMOS)”, pois esqueça os “inha e os inho (programinha, sisteminho, olhadinha, )” pois OS CARAS DO TI não resolvem este tipo de problema. Levantamentos, pesquisas e resumos são frutos de análises cuidadosas e requerem atenção, dedicação. Esses tópicos podem parecer inconcebíveis a uma boa parte da população, mas servem para tornar a vida do CARA DO TI mais suportável; *

*9)** **Quanto ao uso do celular: celular é ferramenta de trabalho. Por favor, ligue, apenas, quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo que você, ainda, duvide, o CARA DO TI pode estar fazendo algumas coisas que você nem pensou que ele fazia, como dormir ou namorar, por exemplo; *

*10)** **Pedir a mesma coisa várias vezes não faz o CARA DO TI trabalhar mais rápido. Solicite, depois aguarde o prazo dado pelo CARA DO TI; *

*11)** **Quando o horário de trabalho do período da manhã vai até 12h, não significa que você pode ligar às 11:58 horas. Se você pretendia cometer essa gafe, vá e ligue após o horário do almoço (relembre o item 2). O mesmo vale para a parte da tarde: ligue no dia seguinte; *

*12)** **Quando CARA DO TI estiver apresentando um projeto, por favor, não fique bombardeando com milhares de perguntas durante o atendimento. Isso tira a concentração, além de torrar a paciência.
ATENÇÃO: Evite perguntas que não tenham relação com o projeto, tipo como…. vocês entendem é claro….; *

*13)** **O CARA DO TI não inventa problemas, não muda versão de WINDOWS, não tem relação com virus, NÃO É CULPADOR PELO MAL USO DE EQUIPAMENTOS, INTERNET E AFINS, não reclame, o CARA DO TI com certeza fez o possível para você pagar menos. Se quer EMENDAR, EMENDE, mas antes demita o CARA DO TI e contrate um QUEBRA GALHO; *

*14)** **Os CARAS DO TI não são os criadores dos ditados “o barato sai caro” e “quem paga mal paga em dobro”. Mas eles concordam…; *

*15) *E, finalmente, o CARA DO TI também é filho de DEUS e não filho disso que você pensou…

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Mas que vacilona!!

Galerinha....como falei, o ócio ta na área, então vou compartilhar um dos melhores vídeos que vi nesses últimos dias...vale muito a pena. Só não vale empatar a cagada dos amigos...rs



Passa bem.

Tá...e daí?

Como o título já diz, esse post é apenas mais um da série "cultura inútil", simples e singelo, apenas motivado pelo último post do folião Het, com doses de ócio no trabalho.

Fiquei curioso em saber a origem do termo pelada...o que fazer nesse caso? Google neles, amigo!!!

Então aqui vai o que achei. Olha que interessante! Pelo menos pra mim é...e acredito que pra galera que pratica (ou pelo menos tenta) o esporte bretão também...chega de papo...taí ó:

De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, "pelada", designando partidas amadoras e improvisadas de futebol, deriva do substantivo péla. Esta palavra significa bolas de borracha. Embora o dicionário não aponte o período em que a palavra "pelada" foi inicialmente empregada com este significado, o termo que a originou data da Europa do século XIV.


Viram só!? Que bacana, hein!
OK...ta bom. Prometo mais conteúdo nos próximos posts. Palavra de prefeitinho.

Passar bem.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cerveja I love you


Como já diria um antigo jogador romeno, famoso por suas declarações e apreciador das rodas de altinha das praias cariocas, Camachenko, “melhor que ser Veja, só cerveja mesmo.”

Me lembro muito bem das primeiras noitadas e das primeiras interferências do álcool nos seres humanos a minha frente. Tenho dificuldades para lembrar como o álcool interferia em mim. Não comecei pela cerveja, estou certo que não. Comecei por bebidas misturadas à vodca e à cachaça, pelos coquetéis das festinhas dos adultos, porém, a cerveja só veio com a faculdade.

Me lembro muito bem também que o fator decisivo para não consumir cerveja não era o gosto, era o gasto.

Um adolescente espinhento não ganha dinheiro dos pais pra ficar bebendo por aí, por isso mesmo, qualquer trocado sobrado ia direto pro fundo da carteira, esperando as noites de sexta-feira chegar, e quando chegava a lógica era simples: um litro de cachaça fedorenta pra passar a noite ou duas garrafas de cerveja para apreciar? Dá licença. Lá ia eu pro Extra comprar meu combustível com os amigo tudo! Nunca me passou pela cabeça a segunda opção...

Tudo tem seu tempo, já diria São Pedro em uma noite enluarada. E qualquer moleque, espinhento, muito do espinhento no meu caso, se sente um tanto quanto muito adulto quando passa pra faculdade, e até por isso mesmo que a transição da vida delinquente da cachaça para a vida quase-social da cerveja é meio que inexorável, se torna um passo natural na vida de um universitário. O que falar das chopadas? Outro dia eu falo...

A cerveja entra na vida das pessoas naturalmente, no meu caso veio com a faculdade, junto com a possibilidade de matar quantas aulas quisesse sem nenhum impedimento. E pra mim, que nessa época morava praticamente sozinho, foi uma bela experiência de vida, e um grande aprendizado também. Eu e a cerveja.

Comecei aprendendo como tomá-la de maneira rápida, depois apreciando, fui capaz de perceber que quanto mais se bebe, mais se mija (praticamente um gênio) e assim vai se controlando a bexiga. É preciso saber também a hora de parar, no meu caso, a hora de diminuir, e o mais importante, nos bares da vida a gente aprende a regra da saideira, uma verdadeira lição de amor e perseverança. 

Meus amigos de blog eu fiz no bar, e matutando sobre nossa existência enquanto amigos, fui incapaz de lembrar um evento no qual não houvesse cerveja. Não porque somos loucos ou alcoólatras, simplesmente porque gostamos da nossa conversa na mesa do bar, porque depois do fut, gostamos de tomar uma pra refrescar, porque aos finais de semana, tomamos uma para descontrair e durante funerais tomamos umas como sinal de respeito.

E assim nossas vidas fazem mais sentido, são mais ricas de momentos e boas lembranças.


AMIGOS TUDO, hoje é dia de pelada, mas certamente também é dia de cerveja. Celebrai-vos.
Garção! A  SAÍDÊRA!



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cara, cadê meu blog?


Tive uma vez um blog. Não lembro o nome, não tenho os textos, mas fui procurá-lo. O fato é que nenhuma das palavras-chaves que digitei no Google funcionou (ok, “colegiais gostosas” não ajudou muito). Depois de lavar as mãos no banheiro, bateu a maior preguiça, mas fui tentar mais um pouco. Fiquei puto por não achar o ensaio das funcionárias da Trip do ano que acabou (será que não saiu?), soube pela Globo.com que uma garçonete libanesa forjou a gravidez de suricatos quadrigêmeos numa boate em Ibiza e enfim voltei a me concentrar. Preguiça do caralho, pois é, especialmente numa segunda-feira de verão num país tropical, com o ventilador quebrado e a virilha suando.

Foi aí que lembrei justamente que um dos meus dois posts naquela bagaça virtual de outrora teve a preguiça como fio condutor. Desliguei a TV, dei tchau pro porco-aranha, escorreguei um pouco mais na cadeira, tirei a camisa e, na prateleira ao alcance das mãos, achei o livro que me inspirou em tal ocasião. Da Preguiça Como Método deTrabalho, já leram? Mario Quintana rules. O cara nasceu em Alegrete (RS), mesma terra de um amigo que morou comigo em São Paulo e me ensinou a gostar mais de Caio Fernando Abreu, mesmo sem ter virado viado. Não que isso tenha a ver com o assunto. Mas que podiam fazer um ensaio com as funcionárias lá do trabalho, ah, isso podiam.

A questão é: um bom texto de internet não pode durar mais que o tempo de dois cigarros. Sejam eles de qualquer tipo, portanto voltemos ao Mario. Aquele mesmo, do parágrafo de cima. Dizia ele: "Fumar é um jeito discreto de ir queimando as ilusões perdidas. Daí, esse ar aliviado e triste dos fumantes solitários. Vocês já não repararam que nenhum deles fuma sorrindo?". Engraçado esse hábito (o de ter ilusões, claro).

Apertei o botão “Estou com Sorte” do Google e achei mais um cigarro num maço antigo. Não meu blog, ainda. Fui soltar fumaça na janela e lembrei quando eu tinha oito anos de idade e me perguntava o sentido da vida, antes de dormir e ter sonhos lisérgicos. Será que foi por isso que eu tive um blog? Independentemente, era no sentido Praça Saens Peña que minha vida continuava seguindo, e as ideias eletrificadas. Mind the gap, bebê.

O sono bateu, o fogo apagou e a internet caiu. E eu ainda ia dormir sozinho, de conchinha com as preocupações do dia seguinte. Malditos vietconques e a pergunta que não calava. Mas o Mario Quintana publicou o primeiro livro só aos 34 anos e nem chegou a saber o que era um post. Melhor para ele. Ou não.