Descobrira fazia 2 meses que seria vítima de morte de uma
doença raríssima, ela penetrava nos ossos e praticamente os transformava em pó.
Tinha menos de 1 ano a mais de vida, era incontornável.
O acontecimento transformara a vida pelo acesso e, mesmo
sempre sendo brincalhão e otimista, não conseguia mais esconder a profundidade
de sua angústia. Tudo acabaria daqui a poucos meses, mas era preciso aceitar a
morte. Mais do que isso, levantou a cabeça e decidiu que aceitaria a vida! Ou o
resto que lhe sobrara de vida.
Havia feito amigos, amado, curtido, viajado, gastado e
ganho. Viveu derrotas, mas acima de tudo era um vencedor. Em dado momento lhe
veio a inspiração, aquilo que julgou ser o sentido do seu viver. Queria deixar
sua semente no mundo. Seu legado, um filho, um elo.
Faria isso da melhor maneira e sem enganar a ninguém, a
escolhida seria sua ex-mulher, agora já casada novamente. Chamou-a para um
encontro. Ela não recusou de imediato, o carinho era de amizade, mas não fazia
ideia do que estava por vir. Inicialmente, chorou inconsolável ao saber da
doença, demorou a se acalmar, não acreditou, ninguém lidava bem com aquela
notícia. No meio de um turbilhão de emoções cogitou em largar o marido para
voltar e cuidar de sua antiga paixão, mas nada disse, se limitou a chorar.
Sentia pena, tristeza.
Ele continuou, se fez de forte, já havia passado por muitas situações
delicadas diversas vezes nesses 2 meses. Falou estar feliz na medida do
possível, que já havia absorvido o golpe, então lhe explicou que ela deveria
ser a mãe de seu filho. Fez isso sem suplicar, sem chorar, seu instinto
escolhera assim. Ela calou-se. 2 dias depois conversariam de novo.
Santiago, o atual marido, estaria presente 2 dias depois
como combinado, e tiveram uma conversa os 3.
Hugo, o filho, ouvira a história pela primeira vez, hoje já
com 16 anos.
A princípio Hugo demorou a se situar, apesar de maduro para sua
idade, psicologicamente não estava preparado, talvez nunca estivesse. Em dado
momento quis saber do verdadeiro pai, como era, como havia morrido, o nome... Mas
não tardou a perguntar aquela que seria a questão mais importante de sua vida
até então, a razão de sua existência.
Santiago, pai de criação, absorvido por uma serenidade adquirida
pelos anos de preparação e ensaio para o dia em que aquela conversa fosse
feita, respondeu: meu filho, o fato de você não ser biologicamente meu nunca
alterou em nada meus sentimentos por você, você sempre será meu filho. No dia
em que encontrei aquele homem e rapidamente tomei conhecimento de sua proposta,
minha primeira reação foi de revolta, mas então, olhando para aquele semblante
percebi que falava sério. Não suplicou, não implorou, ele foi sincero e aquilo
me acalmou, ele estava seguindo sua intuição. E então, fiz a ele a mesma
pergunta que hoje você fez a mim. Porque dentre milhares de mulheres, ele
escolheu justamente sua mãe?
Então filho, vou lhe responder da mesma maneira que ele me
respondeu. Que de todas as mulheres que tivera, ela havia sido aquela que lhe
despertara sua paixão, e que apesar de estarem separados, ela teria sido a
única mulher que havia jurado protegê-la e que, naquele momento, ao saber da
proximidade de sua morte havia descoberto um sentimento novo, o de querer
viver. E, percebendo a ausência de sentido que tivera em toda a vida, teve
certeza do que tinha que fazer e gostaria de deixar a única marca que considerava
relevante em toda a sua vida. Um filho, fruto do mais puro amor.
Então Hugo, ouvindo pacientemente toda aquela explicação,
não tive dúvidas, arrebentei a cara daquele sujeito no mesmo instante, o que
foi irrelevante, o filho da puta já tinha plantado sua semente no dia anterior.
Sua mãe também levou uma surra, mas eu gostava dela. O filho da puta morreu 3
meses depois.
tava indo muito bem, nao entendi o final, virou 1a pessoa?
ResponderExcluirSei lá se virou primeira pessoa, mas a primeira parte é na época do fdp e a segunda é a partir do paragrafo em que Hugo já tem 16 anos, hoje.
ResponderExcluir