Gravem esse dia, 13-05-2012. Se alguém não tem a menor ideia
do que significa, pergunte a um torcedor do Manchester City, ele certamente irá
abrir um sorriso de orelha a orelha e te responderá com o mais nobre ar
britânico sendo levado ao desabrochar de uma informalidade impulsiva: “O dia
mais feliz de minha vida!”.
Pois bem, isso não é à toa, pois após 44 anos sem levantar
se quer um troféu da liga inglesa, a metade azul de Manchester pode enfim tirar
o grito de campeão da garganta. Até aí tudo bem, pois se trata de um time
recheado de bons jogadores comprados pelo dinheiro de um sheik árabe
bilionário, e que chegou a última rodada do campeonato dependendo apenas de uma
vitória em casa sobre o modestíssimo Queens Park Rangers, que brigava para não
cair para a série B.
No papo, não!? Definitivamente não!
Vamos agora aos ingredientes que fizeram desse jogo um
espetáculo desse esporte apaixonante:
1-
O City brigava pelo título contra seu
arqui-rival e maior detentor de troféus da Premier League, o Manchester United.
2-
O rival vermelho, garantia sua vitória ao passar
sem dificuldades pelo fraco Sunderland.
3-
Após sair na frente, os cityzens permitiram a
virada do QPR.
Está bom ou querem mais? Pois agora vem o drama.
A torcida no Etihad Stadium estava de pé, os jogadores do
City davam a alma em campo, pura pressão e corrida contra o tempo. Com um a
menos o QPR se segurava como podia, o que fez dos minutos finais um verdadeiro
ataque contra defesa.
Em Sunderland, torcedores do United já faziam a festa, comemorando
mais uma vez um titulo inglês, mas dessa vez em cima do grande rival, que
falhava em sua caminhada, abrindo espaço para os cânticos dos red devils.
Foi aí que a história começou a mudar, e da forma mais
improvável e batalhada possível. Aos 46 do segundo tempo, num escanteio
levantado na área, Dzeco empatou a partida. Restava apenas mais 4 minutos
conforme acréscimo do juiz. A essa hora, a massa azul roía as unhas,
escondia-se atrás de bandeiras; as mais variadas expressões de tensão eram
vistas. Então, aos 49 minutos, com um minuto para o fim, Balotteli da um passe
deitado para o argentino Kun Aguero penetrar na área, tirar 2 zagueiros e bater
cruzado para o fundo da rede.
Em anos acompanhando o futebol vi muitas viradas, gols no
fim, mas impossível não se emocionar com a explosão que foi vista no Etihad
Stadium. Um verdadeiro delírio tomou conta das arquibancadas. Pais e filhos se
abraçando, jovens se jogando um em cima do outro, gigantes ingleses aos prantos
como crianças. A cena era da mais pura felicidade, aquela pueril, que encontra
somente espaço para vibrar, expressar e sentir tudo de melhor na vida.
Um estádio inteiro veio abaixo, o City, após 44 anos de
jejum, conquistava o campeonato nacional. E naquele momento não contava o
dinheiro “obscuro” de seu dono, tampouco o fato de serem declaradamente menores
que os demais rivais ingleses; naquele instante, naquele exato momento em que a
bola de Kun Aguero tocou a rede pelo lado de dentro, o que realmente valia era
ser torcedor, aquele que independentemente do time torce pelo clube.
Ao fim do jogo, invasão de campo, e uma cena em especial me
foi muito peculiar: um enorme inglês, careca, com cara de hooligan, estilo
filme, vestido com uma camisa com os dizeres “13-05-2012 I’ve been there”, se
ajoelhou no centro de campo e pôs-se a chorar e enxugar as lágrimas na bandeira
surrada. Ali me veio um doce sabor de como é bom o futebol, de como vale a pena
seguir esse esporte tão bruto e tão passional ao mesmo tempo. Como diria o
comentarista da partida “Como alguém pode não gostar de futebol!?”.
Sem dúvidas esse jogo já ficou na minha memória, imagina de
um torcedor do Manchester City. Parabéns aos jogadores, torcedores e
principalmente aos amantes do esporte bretão, pois foram devidamente
retribuídos.

