terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cara, cadê meu blog?


Tive uma vez um blog. Não lembro o nome, não tenho os textos, mas fui procurá-lo. O fato é que nenhuma das palavras-chaves que digitei no Google funcionou (ok, “colegiais gostosas” não ajudou muito). Depois de lavar as mãos no banheiro, bateu a maior preguiça, mas fui tentar mais um pouco. Fiquei puto por não achar o ensaio das funcionárias da Trip do ano que acabou (será que não saiu?), soube pela Globo.com que uma garçonete libanesa forjou a gravidez de suricatos quadrigêmeos numa boate em Ibiza e enfim voltei a me concentrar. Preguiça do caralho, pois é, especialmente numa segunda-feira de verão num país tropical, com o ventilador quebrado e a virilha suando.

Foi aí que lembrei justamente que um dos meus dois posts naquela bagaça virtual de outrora teve a preguiça como fio condutor. Desliguei a TV, dei tchau pro porco-aranha, escorreguei um pouco mais na cadeira, tirei a camisa e, na prateleira ao alcance das mãos, achei o livro que me inspirou em tal ocasião. Da Preguiça Como Método deTrabalho, já leram? Mario Quintana rules. O cara nasceu em Alegrete (RS), mesma terra de um amigo que morou comigo em São Paulo e me ensinou a gostar mais de Caio Fernando Abreu, mesmo sem ter virado viado. Não que isso tenha a ver com o assunto. Mas que podiam fazer um ensaio com as funcionárias lá do trabalho, ah, isso podiam.

A questão é: um bom texto de internet não pode durar mais que o tempo de dois cigarros. Sejam eles de qualquer tipo, portanto voltemos ao Mario. Aquele mesmo, do parágrafo de cima. Dizia ele: "Fumar é um jeito discreto de ir queimando as ilusões perdidas. Daí, esse ar aliviado e triste dos fumantes solitários. Vocês já não repararam que nenhum deles fuma sorrindo?". Engraçado esse hábito (o de ter ilusões, claro).

Apertei o botão “Estou com Sorte” do Google e achei mais um cigarro num maço antigo. Não meu blog, ainda. Fui soltar fumaça na janela e lembrei quando eu tinha oito anos de idade e me perguntava o sentido da vida, antes de dormir e ter sonhos lisérgicos. Será que foi por isso que eu tive um blog? Independentemente, era no sentido Praça Saens Peña que minha vida continuava seguindo, e as ideias eletrificadas. Mind the gap, bebê.

O sono bateu, o fogo apagou e a internet caiu. E eu ainda ia dormir sozinho, de conchinha com as preocupações do dia seguinte. Malditos vietconques e a pergunta que não calava. Mas o Mario Quintana publicou o primeiro livro só aos 34 anos e nem chegou a saber o que era um post. Melhor para ele. Ou não.

Um comentário:

  1. certamente que foi pior pra ele, poderia ter conhecido o MUITAcoisamMUITAcoisa.

    ...e a preguiça continua como fio condutor...

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