Tive uma vez um blog. Não lembro o nome, não tenho os
textos, mas fui procurá-lo. O fato é que nenhuma das palavras-chaves que
digitei no Google funcionou (ok, “colegiais gostosas” não ajudou muito). Depois
de lavar as mãos no banheiro, bateu a maior preguiça, mas fui tentar mais um
pouco. Fiquei puto por não achar o ensaio das funcionárias da Trip do ano que
acabou (será que não saiu?), soube pela Globo.com que uma garçonete libanesa
forjou a gravidez de suricatos quadrigêmeos numa boate em Ibiza e enfim voltei
a me concentrar. Preguiça do caralho, pois é, especialmente numa segunda-feira de
verão num país tropical, com o ventilador quebrado e a virilha suando.
Foi aí que lembrei justamente que um dos meus dois posts
naquela bagaça virtual de outrora teve a preguiça como fio condutor. Desliguei
a TV, dei tchau pro porco-aranha, escorreguei um pouco mais na cadeira, tirei a
camisa e, na prateleira ao alcance das mãos, achei o livro que me inspirou em
tal ocasião. Da Preguiça Como Método deTrabalho, já leram? Mario Quintana rules.
O cara nasceu em Alegrete (RS), mesma terra de um amigo que morou comigo em São Paulo e me ensinou a
gostar mais de Caio Fernando Abreu, mesmo sem ter virado viado. Não que isso
tenha a ver com o assunto. Mas que podiam fazer um ensaio com as funcionárias
lá do trabalho, ah, isso podiam.
A questão é: um bom texto de internet não pode durar mais
que o tempo de dois cigarros. Sejam eles de qualquer tipo, portanto voltemos ao
Mario. Aquele mesmo, do parágrafo de cima. Dizia ele: "Fumar é um jeito
discreto de ir queimando as ilusões perdidas. Daí, esse ar aliviado e triste
dos fumantes solitários. Vocês já não repararam que nenhum deles fuma
sorrindo?". Engraçado esse hábito (o de ter ilusões, claro).
Apertei o botão “Estou com Sorte” do Google e achei mais um
cigarro num maço antigo. Não meu blog, ainda. Fui soltar fumaça na janela e
lembrei quando eu tinha oito anos de idade e me perguntava o sentido da vida, antes
de dormir e ter sonhos lisérgicos. Será que foi por isso que eu tive um blog?
Independentemente, era no sentido Praça Saens Peña que minha vida continuava
seguindo, e as ideias eletrificadas. Mind
the gap, bebê.
O sono bateu, o fogo apagou e a internet caiu. E eu ainda ia
dormir sozinho, de conchinha com as preocupações do dia seguinte. Malditos
vietconques e a pergunta que não calava. Mas o Mario Quintana publicou o
primeiro livro só aos 34 anos e nem chegou a saber o que era um post. Melhor
para ele. Ou não.
certamente que foi pior pra ele, poderia ter conhecido o MUITAcoisamMUITAcoisa.
ResponderExcluir...e a preguiça continua como fio condutor...