Vocês já ouviram uma mistura de Strokes, Odair José e
tecnobrega?
Inusitado, não? Os (ir)responsáveis são Mateus Carrilho,
Davi Sabbag e Candy Mel, da Banda Uó, que vem se transformando em um fenômeno
na web. Os caras (a vocalista Candy Mel é traveco) já saíram até na Vanity Fair, revista americana das boas,
definidos como uma das mais geniais bandas brasileiras dos últimos tempos pelo
Diplo, DJ consagrado e simplesmente o produtor do último disco da Beyoncé (a
gringa... da brasileira eu falo daqui a pouco).
Meio exagerado, mas enfim. É tão ruim que é tão bom, diriam
alguns. Admirador de gente como Rogério Skylab e Falcão, eu vou meio por esse
lado. Não que o som desses três seja parecido, pelo contrário, ao menos musicalmente.
A Banda Uó, inclusive, não faz nem exatamente “o próprio som”, na maioria das
vezes: eles usam e abusam dos samples, covers e versões. Seu maior hit, por
exemplo, é um sample da Willow Smith, a sensacional e tosco-cult “Shake de
Amor”.
Tudo isso, na verdade, vem de um grande movimento
tecpix-musicológico em que a fusão da universalização dos gadgets digitais com
a anarquia do-it-yourself do punk
setentista mais o ideal creative commons
do século 21 gera um mash-up de influências nas cabeças mais alucinadas do
planeta, pro bem e pro mal. Seja lá o que eu tenha tentado dizer com essa frase
(me preocupei mais com as vírgulas, ou falta delas).
No Brasil, a Banda Uó faz parte de um coletivo – ou
movimento – autointitulado Avalanche Tropical, que mais ou menos pega ritmos
regionais e da periferia, muitas vezes menosprezados, e leva a um circuito
alternativo de circulação, com estratégias de divulgação do rock independente
(o chamado indie rock). Quem encabeça essa patota são os mentores do Bonde do
Rolê, que beberam da fonte do funk carioca e também fizeram sucesso lá fora,
com o álbum With Lasers. Não por
acaso, hoje eles produzem e empresariam a Uó. Engraçado como as coisas se
misturam, né?
“Eu vou samplear, eu vou te roubar”. Esse é o refrão do mais
recente sucesso da Gaby Amarantos, melhor conhecida como a Beyoncé do Pará, a
nova musa do tecnobrega. O clipe da música, acreditem, foi dito pelo respeitado antropólogo Hermano Vianna como um dos melhores de todos os tempos. Tá bombando a
parada.
Se a moda vai ficar ou não, essa é outra pergunta, e não
a façam a mim, pequenos bastardos. Permito-me no máximo me perguntar: seriam
os deuses astros bregas? Imagina um power
trio com o vocalista vestido de Jesus, um Buda na bateria e Krishna tocando
guitarra. Acho que vou lançar uma banda de calypso-eletrogospel...
Caraca, um dos melhores textos que já li em blogs. Mandou muito bem Vejanildo Lobisgalo!
ResponderExcluirMUITAcultura se encontra aqui.....fico curioso de pensar como foi apresentado a esses benditos.artistas
ResponderExcluiralguns diriam: "maldita inclusão digital"...rs
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